Casa Brazão

ARQUITECTURA, AUTORIA


Casa Brazão

Valongo, 2002-2005

A construção existente era feia e complicada, uma moradia em 2ª mão, que o cliente adquiriu para habitaçăo permanente. Precisava, desesperadamente de arquitectura.
Uma casa gémea, num extenso loteamento de idênticos pares de gémeas.
A casa e seus acabamentos eram um repertório de clichés.
O pedido era que deixasse de ser essas coisas… e que se introduzissem mais algumas.
Renovar em casos destes é sempre mais caro que começar de novo.
Condição: justificar a tentação da total demolição; demolir apenas o inexplicável; reutilizar o que tivesse valor.
Iniciou-se o processo de síntese dos materiais.
“O sentido, que se deve criar no contexto dos materiais, encontra-se para além de regras de composição; e também a sensibilidade, o cheiro e a expressão acústica dos materiais são apenas elementos da linguagem que temos de utilizar. O sentido nasce quando se consegue criar no objecto arquitectónico significados específicos de certos materiais que só neste singular objecto se podem sentir desta maneira.” 1
A proposta fundamenta-se pois na subtracção – limpar, homogeneizar e atribuir significado ao existente. Desenhou-se um pátio abraçado por um percurso em rampa, constituiu-se uma esplanada sobranceira ao Vale-Longo; redesenhou-se a zona social distribuída nos dois pisos mais baixos. Mantiveram-se os incompreensíveis bicos e arcos originais que marcam as plantas (eram de betão…); ligou-se cozinha e sala de jantar em contínuo para a sala de estar. Sem alterar a planta tudo foi alvo de novo desenho, corrigindo-se as proporções.
“As velhas formas estruturais que até hoje significaram “arquitectura” estão caducas(…) o betão armado e a terra[cota], fazem pressagiar uma arte mais plástica, em que o revestimento será para a estrutura como a carne é para os nossos ossos, mas capaz de expressar mais que nunca verdade e beleza”. 2
Neste caso tratou-se apenas a carne.

1. Zumthor, Peter – Pensar a arquitectura: Editorial Gustavo Gili, SA, Barcelona 2005, p.10
2. Wright, F.L., Cit. da “In the cause of architecture” p. 98 – Fannelli, Giovanni; Cargiani,Roberto – El Principio del Revestimento: Ediciones Akal, S.A.,Madrid 1999, p.30

The existing building was ugly and complicated, a 2nd hand house the customer purchased for permanent housing.
A sibling in an extensive blend of pairs of identical twins, desperately needing architecture.
The house and its finishings were a repertoire of clichés.
The request was to quit all of these… and to bring in some other.
Renew in such cases is always more expensive to start from scratch.
Condition: the temptation to justify total demolition, demolishing only the inexplicable; reuse what had value.
The process of synthesis of materials began.
“The direction that should be aimed in the context of the material is beyond rules of composition, and also the smell, sensitivity and acoustic expression of the materials are just elements of the language we use. The meaning comes when you manage to create specific meanings to certain materials that only in this unique object one may feel this way. ” 1
The proposal is thus based on subtraction – clean, level and give meaning to the existing. We drew up a yard embraced by a sloping path; did a terrace overlooking the Long Valley (Valongo); redesigned the living area distributed in two lower floors; we kept the incomprehensible beaks and arches that mark the original plant (in concrete they were …); merged the kitchen and dining room continuously into the living. Without changing the plan everything was redesigned, correcting proportions.
“The old structural forms that still meant “architecture” are outdated (…) the concrete and clay do portend a more plastic art, in which the coating will be for the structure as the flesh is for our bones, but able to express more than ever truth and beauty.” 2
In this case we only worked the flesh.

1. Zumthor, Peter – Thinking architecture: Editorial Gustavo Gili, SA Barcelona 2005, p.10
2. Wright, F.L., Cit. of “In the cause of architecture,” p. 98 – Fannelli, Giovanni; Cargiani, Roberto – El Principio del Coating: Ediciones Akal, SA, Madrid 1999, p.30

Obra: Renovação de habitação unifamiliar
Localização: Rua Tenente Sá Nogueira n 183, Valongo
Projecto de Arquitectura e Coordenação de Obra: Arq. Paulo Costa
com Arq. José Carlos Oliveira,
Cliente: Carlos Brazão
Construtores: Carpintaria 3M, Serralharia Castro Sousa, Eugénio Barbosa (Electricista) Nuno Sousa (Marmorista), Eduardo Araújo (Trolha), Luis Almeida (Picheleiro) José Cunha (Pintor), José Manuel Ferreira, Marnorte, Caixilharias C.A.A.P.
Fotografia: Arménio Teixeira, José Carlos NO
Área de Intervenção: 519,2m²
Volume: 1320m³
Custo de Obra: 160.000€

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